Capítulo 4 A Autonomia e a Imparcialidade de Juízes, Promotores E Advogados
1.
Introdução
Este capítulo tratará de dois pilares fundamentais de uma sociedade democrática
que respeita as regras da lei e a efetiva proteção dos direitos humanos, quais sejam a
autonomia e a imparcialidade do Judiciário e promotores e a autonomia dos
advogados. Primeiro será descrito o papel dos juízes, promotores e advogados dentro
deste contexto, e posteriormente focaremos nas várias limitações legais e nas ameaças de
fato em relação às habilidades de juízes, promotores e advogados em exercerem suas
responsabilidades profissionais de uma forma independente e imparcial. Finalmente, este
capítulo analisará os padrões legais internacionais existentes relativos ao exercício das
profissões jurídicas e as jurisprudências relevantes selecionadas.
2. O papel de juízes, promotores e advogados em sustentar
o direito, incluindo os padrões dos direitos humanos
No Estado constitucional moderno, o princípio da autonomia do Judiciário possui
sua origem na teoria da separação dos poderes, na qual o Executivo, o Legislativo e o
Judiciário formam três partes separadas do governo, formando um sistema de balança e
fiscalização mútua, que visa a prevenção de abusos de poder em detrimento de uma
sociedade livre. Essa autonomia significa que tanto o Judiciário, como uma instituição,
quanto os juízes, ao decidirem os casos específicos, devem poder exercer suas
responsabilidades profissionais sem a influência do Executivo, do Legislativo ou
qualquer outra fonte imprópria.
Somente um Judiciário autônomo pode promover a justiça de forma imparcial e
baseada na lei, protegendo também os direitos humanos e as liberdades fundamentais do
indivíduo. Para que esta tarefa essencial seja cumprida eficientemente, o povo deve ter
confiança total na habilidade do Judiciário em exercer as suas funções de uma maneira
autônoma e imparcial. Toda vez que esta confiança se desgasta, nem o Judiciário como
uma instituição, nem os juízes individualmente conseguirão exercer completamente esta
importante tarefa, ou pelo menos não serão facilmente vistos exercendo-a.
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Direitos Humanos na Administração da Justiça: Manual de Direitos Humanos para Juizes, Promotores e Advogados
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