Capítulo 4 A Autonomia e a Imparcialidade de Juízes, Promotores E Advogados
3. Desafios quanto a autonomia e imparcialidade das
profissões jurídicas
Independente da necessidade de juízes, promotores e advogados exercerem suas
responsabilidades profissionais em verdadeira independência, a experiência mostra que
eles estão freqüentemente sujeitos as pressões de diversos tipos direcionadas a
comprometer suas habilidades em exercer suas profissões de uma forma verdadeiramente
independente.
Por exemplo, apesar da forma como os juízes são nomeados variar de país para
país, talvez possa haver um perigo em relação à sua autonomia quando são nomeados
exclusivamente pelo Executivo ou Legislativo, ou mesmo quando são eleitos. Uma maior
ameaça à sua autonomia caracteriza-se pela falta de estabilidade, como acontece nos
países onde os juízes são geralmente empregados por contratos temporários. Tais
instabilidades podem fazer os juízes mais suscetíveis a inapropriadas pressões externas.
Remuneração inadequada também pode constituir uma ameaça à autonomia dos juízes no
sentido de que podem ficar mais receptíveis à corrupção.
Além do mais, a autonomia de juízes, promotores e advogados é freqüentemente
ameaçada pela recusa do Executivo em permitir que eles se organizem em sindicatos. Por
exemplo, nos lugares onde o Executivo emite licenças para os advogados e os obriga a
exercer suas profissões como membros de organizações administradas pelo Estado, eles
não conseguem exercer suas profissões livremente.
No entanto, juízes, promotores e advogados também estão freqüentemente sujeitos
a outros tipos de perseguição. Tais atos podem envolver críticas públicas feitas pelo
Executivo ou Legislativo com a finalidade de intimidar as profissões jurídicas, mas
também muitas vezes tais atos se apresentam sob a forma de prisões arbitrárias e ameaças
diretas às suas vidas, incluindo morte e desaparecimentos.5 Em alguns países, o fato de
ser uma advogada mulher aumenta ainda mais a precariedade da profissão. Por causa das
suas vontades em defender casos que envolvam a matéria delicada dos direitos da mulher,
essas advogadas enfrentam intimidação e violência, muitas vezes resultando em morte.
5
Ver por exemplo doc. ONU E/CN.4/2000/61, Report of the Special Rapporteur on the independence of judges and
lawyers, 74 páginas; e Attacks on Justice – The Harassment and Persecution of Judges and Lawyers (Centro para a
Independência de Juízes e Advogados (CIJL), Genebra), 10a. Edição, Janeiro 1999-Fevereiro 2000, 499 páginas.
5
Direitos Humanos na Administração da Justiça: Manual de Direitos Humanos para Juizes, Promotores e Advogados
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