REspe no 782-20.2016.6.26.0323/SP As irregularidades dos negócios firmados entre Geraldo Baraldi e Benedito, e entre Benedito e Dixon, evidenciam a intenção de realizar financiamento da campanha com recursos de pessoa jurídica. Como registrou a Procuradoria Regional Eleitoral: "a manobra foi nitidamente usada para cobrir os valores gastos com a campanha eleitoral além da capacidade económica do candidato, cuja situação financeira declarada à Receita Federal não comportava gastos dessa monta. A quebra de sigilo bancário denotou a triangulação do dinheiro, oriundo da venda de lotes de uma empresa, até o caixa da campanha do candidato, tendo como eixo central a conta-corrente n° 10024133 do Banco Santander, pertencente ao genitor de Dixon, Benedito Dias" (fI. 1.137v). O abuso de poder económico está configurado pela captação ilícita de recursos. A necessidade de combater as contribuições de origem vedada e a prática de "caixa-dois" exige dos candidatos a comprovação da fonte dos recursos arrecadados. O artigo 56, da Resolução TSE n° 23.463/2015, que dispõe sobre a arrecadação e os gastos de recursos por partidos e candidatos, e sobre a prestação de contas, nas eleições de 2016, estabelece: Art. 56. No caso de utilização de recursos financeiros próprios, a Justiça Eleitoral pode exigir do candidato a apresentação de documentos comprobatórios da respectiva origem e disponibilidade. Parágrafo único. A comprovação de origem e disponibilidade de que trata este artigo deve ser instruída com documentos e, elementos que demonstrem a procedência lícita dos recursos e a sua não caracterização como fonte vedada. Tais recursos somam R$ 681.500,00 e representam 84% do total arrecadado, a evidenciar a gravidade da conduta, com aptidão para ferir a lisura e a normalidade do pleito. Trata-se de vultosa quantia, sobretudo em cidade com menos de 70.000 eleitores, sendo que os representados foram vitoriosos por diferença de 559 votos. A jurisprudência: Recurso Eleitoral. Ação de Investigação Judicial Eleitoral. Candidatos segundos colocados diplomados Prefeito e VicePrefeito. Arrecadação ou gasto ilícito de recursos. Pedidos julgados procedentes. Cassação de diplomas. Convocação de novas eleições. ( ... ) Comprovação de fraude na arrecadação de recursos. A conduta adotada, no sentido de deliberadamente camuflar a realidade da campanha denota a má-fé que norteou a arrecadação dos recursos pelos réus e denuncia a ilicitude perpetrada, independentemente da identificação da origem real dos recursos. O art. 30-A da Lei das Eleições não se limita a vedar formação de "caixa 2", alcançando QUALQUER PRÁTICA INSIDIOSA DESTINADA A,AR

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